EDITORIAS
Boas histórias de viagem por um casal de jornalistas
 

Relatos e retratos do cotidiano londrino

Sempre me interessei pelos assuntos corriqueiros do dia a dia. De observar a vida que passa, de dar atenção as coisas sem importância e reparar nas cenas que constroem o cotidiano.

Todo jornalista é assim. Se não é, deveria ser. É como se estivéssemos buscando assuntos para escrever 24 horas por dia.

É por isso que tenho uma pasta de fotos chamada “Aleatórias”. Nela, guardo registros do cotidiano e cenas não tão relevantes, mas que fizeram parte da minha vida. Era assim em Curitiba e é assim em Londres.

Hoje vou falar um pouco sobre isso.

Os jornais gratuitos

Londres conta com dois jornais diários gratuitos. Em uma cidade completamente 3G, em que quase não se vê outros celulares senão Blackberries e iPhones, é interessante como a cultura da leitura analógica ainda é muito forte. Difícil imaginar a cidade sem os companheiros das viagens no underground.

O Metro sai pela manhã e está disponível em todas as estações de trem e metrô. "Você precisa ser rápido", diz o texto. De fato, após às 9 da manhã é difícil encontrá-lo.

O Metro sai pela manhã e está disponível em todas as estações de trem e metrô. “Você precisa ser rápido”, diz o texto. De fato, após às 9 da manhã é difícil encontrá-lo.

 

O London Evening Standard sai após o meio dia e é distribuído nas entradas das estações centrais por uns caras que exclamam "Free Standard". A polidez britânica faz com que eles agradeçam a todos que aceitam.

O London Evening Standard sai após o meio dia e é distribuído nas entradas das estações centrais por uns caras que exclamam “Free Standard”. A polidez britânica faz com que eles agradeçam a todos que aceitam.

O metrô

O underground, aliás, é um episódio à parte. Local perfeito para se fazer um estudo antropológico sobre os “londoners” e os gringos que a cidade adota com tanto carinho.

O que mais se vê – além dos leitores de jornais – são pessoas lendo livros, jogando no iPhone, escrevendo mensagens de texto e ouvindo música no estilo que os otorrinos e as mães adoram.

Uns dias atrás uma senhora pediu para que eu abaixasse o volume do iPod. Pedi desculpas e abaixei. Poucos minutos depois ela pediu o mesmo para um cara que estava sentado ao lado dela. Justo.

Cachorros (e bicicletas) são figuras constantes no dia a dia do underground.

Cachorros (e bicicletas) são figuras constantes no dia a dia do underground.

Em clima de Copa

Há poucos dias do início da Copa os ingleses respiram futebol. Os pubs convidam a torcida, os supermercados liquidam cerveja, o patriotismo toma conta dos lares e algumas promoções inusitadas surgem. A Toshiba, por exemplo, está prometendo devolver o dinheiro de quem comprar uma televisão ou um notebook caso a Inglaterra vença o mundial.

várias casas estão assim

várias casas estão assim

 

A vitrine da loja da Nike na Oxford Street exibiu essa vitrine por vários dias.

A vitrine da loja da Nike na Oxford Street exibiu essa vitrine por vários dias.

Algumas estações de metrô têm características próprias. A “Holborn Station”, por exemplo, dá acesso ao British Museum. Ela tem imagens de algumas obras estampadas nas paredes. A foto abaixo é da “Baker Street Station”, principal acesso ao Sherlock Holmes Museum.

elementar

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Os pubs

Entrar em qualquer pub é respirar história. Quando você para e pensa que a maioria deles tem mais (em algumas vezes muito mais) do que 100 anos a mente vai longe. Já imaginou aqueles figurões de roupas exóticas da realeza tomando uma Guinness?

Os professores da escola costumam dizer que o pub é o lugar em que você pode vivenciar de perto toda a riqueza da cultura inglesa – beber, brigar e vomitar. =D

Brincadeiras à parte, os pubs são incríveis. Não só pelas cervejas espetaculares que você pode tomar, mas por tudo que caracteriza a instituição PUB.

Domingo, meio dia: cerveja, futebol e leitura matinal

Domingo, meio dia: cerveja, futebol e leitura matinal

Fish and chips com cerveja: autoridade suprema da gastronomia "pubiana".

Fish and chips com cerveja: autoridade suprema da gastronomia “pubiana”.

A diversidade cultural

Essa é uma das coisas que mais impressionam. Não sei se existe lugar no mundo com tanta gente de tanto lugar diferente como aqui. Nosso bairro, por exemplo, está repleto de afro-descendentes, turcos, indianos, judeus (com direito ao traje completo) e muçulmanos/muçulminas… daquelas que só mostram um pedacinho do olho.

Mas não para por aí. Andar pelas ruas é passear pelo mundo. São restaurantes típicos de centenas de países e sotaques esquisitos para todos os lado. Não é difícil, também, se deparar com uma roda de capoeira à beira do Tâmisa.

paranauê

paranauê

Queijos e salames italianos no mercado de Borough.

Queijos e salames italianos no mercado de Borough.

O problema dos ratos e os simpáticos esquilos

Os esquilos estão para os parques assim como os ratos estão para os metrôs. São milhares!

A prefeitura tem lutado para diminuir a população dos primos do Mickey Mouse do undergound – a explicação para a imensa quantidade de camundongos vem das obras que estão sendo feitas para as Olimpíadas de 2012. Existem canteiros em todos os cantos da cidade e a prefeitura já admitiu que não é possível evitar a superpopulação.

Já os esquilos vivem aos montes em todos os parques, são adorados por todos e estão sempre comendo um amendoinzinho.

Os "primos ricos" dos ratos são quase um patrimônio dos parques.

Os “primos ricos” dos ratos são quase um patrimônio dos parques.

Por falar em parques…

Um dos programas preferidos dos habitantes de Londres é deitar na grama. Não importa se é num grande parque ou numa área verde de 2×2. Eles estão sempre lá lendo, fazendo um picnic ou apenas lagarteando no sol.

E há de se concordar que fazer isso é deveras agradável. Ainda mais em um fim de tarde de um dia quente e ensolarado.

habitat natural

habitat natural

precisa de legenda? Regent's Park!

precisa de legenda? Regent’s Park!

 

Essas pequenas flores cujo nome eu não faço ideia são verdadeiras pragas - estão em todo os lugares.

Essas pequenas flores cujo nome eu não faço ideia são verdadeiras pragas – estão em todo os lugares.

Por hoje é só. Prometo fazer mais textos do cotidiano como esses. Acredito que seja uma boa forma de transmitir como as coisas são por aqui sem usar aquele olhar de turista.

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Jornalista, autor do Pra Ver Em Londres e empreendedor digital. Vejo o home office como um estilo de vida, faço parte da revolução da bicicleta e acredito que morar em países diferentes de tempos em tempos é fundamental.

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