EDITORIAS
Boas histórias de viagem por um casal de jornalistas

A gente anda um tanto sumido aqui do blog, é verdade. Não é a primeira vez que ficamos longas semanas sem escrever e – possivelmente – não será a última.

A desculpa é a mesma de sempre. O trabalho principal, com nossa agência de marketing de conteúdo, tem tomado conta de boa parte de nosso tempo e – sendo franco – depois de ficar longas horas sentado em frente ao laptop fritando o cérebro, o que mais queremos é distância do tec tec das teclas quando “fechamos o escritório”.

Saudade de escrever aqui a gente sente todo dia, acredite. Mas tem horas que é preciso priorizar, focar, abrir mão, fazer escolhas – e viver com isso.

Por alguns anos a gente alimentou o sonho de viver do blog, fazê-lo ser nossa principal fonte de renda, mas a blogosfera testou nossa paciência. Tivemos algumas decepções com esse mercado e decidimos não levar mais a carreira de blogueiros tão a sério. Até temos algumas ideias e projetos bem legais, mas nada que será tratado como prioridade – ao menos no curto e médio prazo.

O que é bom, porque isso nos tirou algumas amarras e pressões que nós mesmos nos colocávamos sobre TER que postar algo, TER que interromper momentos legais de uma viagem para registrar isso ou aquilo. Em nossa última viagem – para o Uruguai, no Carnaval – relaxamos como há tempos não relaxávamos simplesmente porque deixamos de lado as “obrigações” de blogueiro.

noite estrelada no container - playa atlantica - uruguay - aventura

Tentativa – quase frustrada – de permanecer imóvel para uma exposição de 30 segundos em uma das noites mais lindas da vida em algum lugar no litoral do Uruguai

De certa forma, foi um grito particular de liberdade

Não vamos deixar de escrever e nem abandonar o blog. A gente ama esse nosso filhão que completa sete anos de vida este mês. É mais uma coisa de não se preocupar tanto com o calendário de posts fixado na parede do escritório que está na minha frente, bem atrasado, agora mesmo.

Grandes mudanças estão por vir em nossas vidas. Será mais um episódio da vida semi-nômade, que eu expliquei aqui, quando ainda não se ouvia falar do “largue tudo, seja um nômade digital e viva da internet”. Tenho calafrios com gente irresponsável que vende falsas verdades e destrói sonhos.

→ Se você se interessa por nomadismo digital de forma séria, planejada e realista, recomendo o Pequenos Monstros. Eles tratam do tema de forma responsável. Tome cuidado com os pseudos gurus da internet. Tem muitos por aí!

Vida de nômade digital - trabalhando no aeoroporto

Aeroporto é sempre sinônimo de escritório pra nós

Dolce far niente (mas nem tão niente assim)

Em maio vamos nos mudar para a Itália para escrever um novo capítulo de nossa vida viajante. O país está em nossos planos há anos. Pra mim, é uma vontade que indiretamente sempre esteve presente em razão de raízes familiares, mas que foi crescendo desde que fomos pra lá pela primeira vez, em 2010.

Quando decidimos virar a página de Londres, a vontade de fixar raízes – temporárias ou não – na velha bota veio forte. Começamos a planejar essa mudança há mais de um ano.

A ideia inicial era ir para Florença, cidade que nos encantou, mas nas primeiras pesquisas vimos que viver lá não seria muito mais barato do que morar em Londres. Aí, entre pesquisas e conversas com amigos e bartenders italianos que encontrávamos nos bares londrinos sobre qual seria a cidade ideal, chegamos a Bologna.

por do sol em florença

Pôr do sol ao fundo do rio Arno, em Florença

Nossa vontade era encontrar uma cidade pequena, mas bem estruturada, com clima bom em boa parte do ano, bem localizada, com fácil acesso para viajar, que tivesse um custo de vida que coubesse no bolso, comida boa, lugares legais para pedalar e por aí vai. Esqueci de algo?

Ah, sim. Em dado momento, quando eu já estava bem inclinado a Bologna, mas a Nah ainda considerava alternativas, ela falou que só se mudaria pra lá se tivesse um bar da Brewdog, uma das melhores cervejarias do mundo.

E não é que tinha? :D

O mais curioso é que, além da inusitada Bologna, só Firenze abrigava a Brewdog na Itália. Mais tarde, abriu um bar da cervejaria em Roma também.

Foi uma piada dela, claro, mas vimos como um sinal do destino. Batemos o martelo e é pra lá que vamos, mas de coração aberto para mudar a rota se por algum motivo, la gorda – como a cidade é conhecida, por motivos óbvios – não nos conquistar.

É louco decidir, por conta própria, mudar para uma cidade em que você nunca pisou, mas depois de ir e vir algumas vezes para lugares diferentes, esse tipo de mudança passou a fazer parte da nossa vida.

Desapegar é difícil, mas preciso

Acho que falar sobre os porquês e os benefícios que essas mudanças de cidades e países nos trouxeram nos últimos anos é tema para aprofundar em outro texto, mas a verdade é que mudar é bom. Simples assim.

Nem sempre é fácil, é verdade. Toda mudança exige muito de nós. Mas o que eu sinto é que a gente cresce sempre quando muda algo que incomoda. E quando falo “a gente”, incluo você também.

Como bem diria Barney Stinson do seriado How I met your mother:

via GIPHY

Eu não estava planejando escrever esse texto. A ideia veio durante a leitura do livro Na natureza selvagem, de Jon Krakauer, clássico da literatura viajante que inspirou o filme homônimo e que é daqueles que mexem com os sentimentos e nos faz questionar verdades inquestionáveis que carregamos.

A gente assistiu há cerca de nove anos, ainda no cinema (matando aula na facul para um de nossos encontros “proibidos” #momentolovestory). Mas só agora parei pra ler a obra que o inspirou. Se você ainda não viu/leu, recomendo que veja/leia.

Depois que li uma carta escrita por Alex (personagem principal da história) para um senhor de 80 anos que se tornou um grande companheiro de estrada por algumas semanas foi quando, precisamente, senti que precisava compartilhar essa história com você.

yosemite national park - california

Fascinado pela estonteante beleza do Yosemite National Park – Califórnia

O jovem que, cansado do mundo, largou tudo para viver uma aventura épica consigo mesmo, escreveu a Ron um recado que também é importante pra mim e pra você.

“Acho que você deveria realmente promover uma mudança radical em seu estilo de vida e começar a fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar. Tanta gente vive em circunstâncias  infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso que parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito aventureiro do homem que um futuro seguro.
A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura. A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências e, portanto, não há alegria maior que ter um horizonte sempre cambiante, cada dia com um novo e diferente Sol. Se você quer mais de sua vida, Ron, deve abandonar sua tendências à segurança monótona e adotar um estilo de vida confuso que, de início, vai parecer maluco para você. Mas depois que se acostumar a tal vida verá seu sentido pleno e sua beleza incrível. (…) Não hesite nem se permita dar desculpas. Simplesmente saia e faça isso. Você ficará muito, muito contente por ter feito. “

Alex Mc Candless em Na natureza selvagem

É um texto forte. É fácil, muito fácil, nos vermos presos à rotina. Não que a rotina seja algo ruim. Eu gosto de ter um (aparente) controle da maior parte do tempo. Ter horário pra dormir, acordar, trabalhar,  pedalar etc. A rotina ajuda a equilibrar a vida. Mas o problema, ao meu ver, começa quando a vida passa a acontecer de forma automática, tipo assim:

via GIPHY

É difícil não cair no clichê, mas eu também não sei por que sempre que falamos em clichê sentimos essa necessidade de nos defendermos e praticamente pedimos permissão para falar sobre. Clichês são clichês porque fazem parte da vida, oras!

De nossa vida só ficará a história que escrevemos

Qual foi a última vez que você se desafiou a fazer algo diferente? Algo que te assusta? Não precisa ser algo como largar tudo e viajar pelo mundo. Pode ser começar a praticar um esporte, empreender, falar aquilo que você sempre quis falar pra alguém, mas nunca teve coragem.

Seja o que for, lembre-se das palavras de Alex. Ele pode ter tido um final trágico em razão de seu grito de liberdade, é verdade, mas o seu legado, quase 30 anos depois, ainda inspira milhares de pessoas em todo o planeta.

Viva sua própria aventura, seja ela qual for. A nossa próxima começa em pouco mais de um mês!

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Jornalista, autor do Pra Ver Em Londres e empreendedor digital. Vejo o home office como um estilo de vida, faço parte da revolução da bicicleta e acredito que morar em países diferentes de tempos em tempos é fundamental.

Latest comments
  • Muito sucesso nesta nova jornada de vcs!!!

  • Parabéns, meninos! Boa sorte nessa nova etapa! Curtam muito Bologna, curtam muito a Itália! Eu não conhecia vocês quando moravam em Londres, mas agora vou acompanhar mais de pertinho essa nova aventura.

    Comecei o post me identificando com a questão do blog, com a saudade de escrever mais frequentemente, mas com a liberdade de fazer isso sem pressão. Posts atrasados? Aff, já até desisti! E no final me identifiquei novamente com os desafios. Estou deixando vários outros desafios de lado pelo desafio de agora, que é ter um filho, mas a vida é assim, né? A gente abre mão de umas coisas para ter outras. Mas abre mão momentaneamente, claro! Já estou cheia de planos para viagens com meu bebê. =)

    Beijos!

  • Que noticia legal!!!
    Temos que ir atrás do que queremos na vida, adoro a forma como vocês encaram essa necessidade de mudanças na vida! =)
    Muitas felicidades nessa nova etapa! Difícil vai ser não se acabar na comida maravilhosa daquele país! Hehe =P
    Beijos!

  • Oi, Brotto!!

    Amo chegar no blog e me identificar com tanta coisa. Amo saber que a vida de vocês está em movimento – acho que não tem nada melhor! Eu queria poder escolher as palavras certas pra dizer o quanto eu amo que a internet nos colocou em contato. Estou TÃO feliz de poder fazer parte de um momento dessa mudança, vocês nem imaginam.
    Quanto à sensação de segurança, acho que já tocamos nesse assunto algumas vezes. Foi o que sempre me segurou por aqui. Agora que resolvi fazer como esse cara aí e encarar umas aventuras além-mar, esse texto não poderia vir em melhor hora. É sempre bom ter uma fonte de inspiração praqueles momentos em que o medo ainda vem atormentar. Ah, o medo do desconhecido, do novo. A gente faz o quê? Encara, né?
    Contando os dias pra ver vocês de novo. E precisando de qualquer força, mano, tamos aí!
    Beijos!!

      • Criei expectativa! hahha
        Vou ficar esperando o post!
        A gente se vê MUITO em breve!
        Beijo!

  • Estava eu aqui concentrado em analisar onze indivíduos que praticaram 16 fatos não convencionais, quando resolvi ver o que havia para mim me distrair, e me deparei com o post.
    Que redação encantadora João, mas devo dizer que no primeiro momento o meu sentimento foi um grrrrr…, como nossos cachorros fazem quando alguém chega perto deles na hora em que estão se alimentando.
    Estou aqui para dizer que pra mim não será fácil acordar e não vê-los no dia a dia de janela para janela e aqueles momentos em que ficamos conversando – a Nati falando, o João analisando e comentando e eu escutando – ao sabor do ‘tinto’ (discretamente).
    Mas voltando ao post, que noite estrelada linda no litoral do Uruguai, até parece aquelas noites em Capitão Leônidas Marques (lembra Nati) quando, de madrugada, nós pulávamos a janela e íamos para o quintal observar as estrelas que se derramavam pelo céu – “Brilho das estrelas no chão, tenho certeza que não sonhava … a noite linda continuava e a voz tão doce que me falava o mundo pertence a nós …”
    Certamente, como sempre, pelo skype ou por qualquer outra engenhoca moderna nos falaremos diariamente, e isto nos basta, pois o que queremos é sentir a felicidade de vocês.
    Como diria o brother Belchior “Não preciso que me digam de que lado nasce o Sol por que bate lá meu coração …, João o tempo…, andam mexendo com a gente sim…”, ou o inesquecível maluco beleza “Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando …”
    Antes de me mandar, parabéns pelos sete anos de nosso primeiro neto mas, com um enorme respeito, eu sou muito apegado ao segundo.
    E tenho algo importante a comunicar, no Domingo, as dez horas, haverá jogo, ao vivo, do nosso time: Bologna X Roma. Não podemos perder.
    E mais uma vez só pra dizer que não falei de flores “O sinônimo de amar – não – é sofrer …, é amar. Amamos vocês!!!
    Pai/sogro gosta muito!!!
    .

    • Chorando depois de ler esse comentário! Quanto amor, que lindo.

    • Aiiii me emocionei tbm!!!!

  • bonita mensagem:
    “Acho que você deveria realmente promover uma mudança radical em seu estilo de vida e começar a fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar. Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso que parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito aventureiro do homem que um futuro seguro.”
    go!
    abraços
    walmir

  • Post maravilhoso, Joao! Muita felicidade pra voces nessa nova fase, e nos vemos na Italia! :D Bjs

  • Queridos, que notícia linda!! Sempre digo que se um dia fosse morar na Europa, seria na Itália! Eu amei Bolonha e acho que viveria fácil por lá! A cidade tem uma mistura de velho com o novo que me encantou. Ela é muito viva, acho que por conta da galera universitária que mantém a cidade num ritmo vibrante, mas mantém todo o charme do antigo, das tradições… sem contar que fica pertinho de trem de dezenas de cidades interessantes na Itália. Quero muito voltar a Bolonha, saudades dos gelatos e das mamas do Sfogline(deem uma passadinha por lá pra comprar massa fresca com a Monica e as mamas). Muito, muito sucesso nessa nova fase e curtam muito a vida nova na Itália. Estarei aqui na torcida por vocês!

  • Parabéns, Iohannes.
    Um dos textos mais tops que já li. Vocês nos inspiram!

  • Oi, gente,
    Acho que serão bem felizes em Bologna e fiquei muito feliz quando me contaram deste plano. Também lembrei de mim no cinema assistindo ao filme Natureza Selvagem. Em alguns momentos, senti que a plateia ia diminuindo, o filme era denso e não agradava todo mundo. Assim como a vida, que a gente toma essas decisões de enfrentar, ir além, ou em alguns momentos colocar o pé no freio, como vocês também já fizeram quando partiram de Londres. Mas é isso. Serão muito bem vindos aqui na Itália e espero encontra-los em breve. Bjos

  • Ha 7 anos acompanhávamos o início de tudo ao lado de vocês na primeira jornada londrina – e mal sabíamos onde tudo isso ia parar. Agora estaremos juntos novamente para celebrar o começo deste grande passo! Falta 1 mês! Felicidade que não cabe em mim, Arrivederci compadres! Bora lá planejar nossa aposentadoria!

  • Já estou na torcida por vocês em mais essa aventura. O filme/livro inspira e vocês também.

  • Olá, João! Para nós, leitores, é um alívio saber que vocês pretendem continuar com o blog, mesmo sem postagens regulares. Vocês já nos presentearam com tantos textos bacanas ao longo de todo esse tempo, que não temos o direito de cobrar posts atualizados; pelo contrário, só temos que agradecer pelo conteúdo disponível aqui sempre que sentirmos saudade de ler… Admiro muito você e a Natasha pela coragem e determinação em não se acomodarem nunca, e desejo sucesso em mais uma aventura! Abraços, José Júnior.

  • Vocês sempre me inspirando. E trazendo a inspiração certa no melhor momento.
    Muita boa sorte. Vocês merecem e vão arrasar. Pra variar! Quem sabe não nos vemos lá. Beijos

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